Setembro de 2003 
Inauguramos este espaço com uma notícia que nos alegra muitíssimo: O projeto da Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul. Leia abaixo: REDE ESCOLAR LIVRE no RIO GRANDE DO SUL - Um exemplo para todo País. 15/08/2002 Fonte: www.softwarelivre.unicamp.br Desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação (SE) e pela PROCERGS, o projeto viabilizará o uso da informática nas escolas públicas estaduais, possibilitando a inclusão de estudantes, professores, funcionários e comunidade escolar no mundo da tecnologia e da informação. O projeto estará disponível para as 2.200 escolas estaduais do RS, que terão acesso aos diferentes serviços e benefícios através de seus laboratórios de informática, oriundos de diferentes projetos como FUST e OP. Inicialmente, a Rede Escolar Livre foi implantada através de um projeto-piloto em cinco escolas da rede estadual, quatro delas em Porto Alegre (Protásio Alves, Carlos Rodrigues da Silva, Cândido Portinari e Fernando Ferrari) e uma em Alvorada (Érico Veríssimo). O programa beneficiará escolas com mais de 100 alunos, que contarão com laboratórios de informática com 10 microcomputadores ligados em rede local, utilizando softwares livres e com acesso à Internet. Estes laboratórios serão conectados às demais escolas estaduais, às Coordenadorias Regionais de Educação e à rede da Secretaria da Educação, possibilitando a construção de uma comunidade escolar. A implantação da Rede Escolar Livre foi viabilizada por uma série de parcerias. Durante o ato de laçnamento, a CRT Brasil Telecom firmou protocolo de intenções com o Governo do Estado para disponibilizar canal de acesso Internet para cerca de 40 escolas integrantes do projeto. A PROCERGS participou com a doação de computadores, mais acesso rede local e Internet. As empresas Dell Computer, Conectiva (PR) e Samurai também doaram equipamentos para as escolas. As escolas do projeto-piloto contarão com aplicativos livres em seus laboratórios, entre eles o Linux e o StarOffice. O software livre trabalha com código aberto, permitindo que os programadores tenham acesso e possam modificar as suas configurações. Além disso, tem livre difusão, o que possibilita que um mesmo programa possa ser instalado em quantas máquinas o usuário desejar. A economia de custo do software livre outra vantagem. Com a sua utilização no Rede Escolar Livre RS serão economizados cerca de R$ 40 milhões.
O texto abaixo foi retirado do site:
www.cipsga.org.br
Linux e o Sistema GNU - Richard Stallman
Texto traduzido por Erik Kohler.
O projeto GNU começou há 12 anos atrás com
o objetivo de desenvolver um sistema operacional
Unix-like totalmente livre. "Livre"
se refere à liberdade, e não
ao preço; significa
que você está livre para executar, distribuir, estudar,
mudar
e melhorar o software.
Um sistema Unix-like consiste de muitos programas
diferentes. Nós achamos alguns componentes já disponíveis como softwares
livres -- por exemplo, X Window e TeX. Obtemos
outros componentes ajudando a convencer seus
desenvolvedores a tornarem eles livres --
por exemplo, o Berkeley network utilities. Outros
componentes nós escrevemos especificamente
para o GNU -- por exemplo, GNU Emacs,
o compilador GNU C, o GNU C library, Bash
e Ghostscript. Os componentes desta última categoria são
"software GNU". O sistema GNU consiste
de todas as três categorias reunidas.
O projeto GNU não é somente desenvolvimento
e distribuição de alguns softwares livres
úteis. O coração do projeto GNU é uma idéia: que software
deve ser livre, e que a liberdade do usuário
vale a pena ser defendida. Se as pessoas têm liberdade
mas não a apreciam conscientemente, não irão
mantê-la por muito tempo. Se queremos que
a liberdade dure, precisamos chamar a atenção
das pessoas para a liberdade que elas têm em
programas livres.
O método do projeto GNU é que programas livres
e a idéia da liberdade dos usuários ajudam-se
mutuamente. Nós desenvolvemos software GNU,
e conforme as pessoas encontrem programas
GNU ou o sistema GNU e comecem a usá-los,
elas também pensam sobre a filosofia GNU.
O software mostra que a idéia funciona na prática.
Algumas destas pessoas acabam concordando
com a idéia, e então escrevem mais programas
livres. Então, o software carrega a idéia,
dissemina a idéia e cresce da idéia.
Em 1992, nós encontramos ou criamos todos
os componentes principais do sistema exceto
o kernel, que nós estávamos escrevendo.
(Este kernel consiste do microkernel Mach mais
o GNU HURD. Atualmente ele está funcionando, mas
não está preparado para os usuários. Uma
versão alfa deverá estar pronta em breve.)
Então o kernel do Linux tornou-se disponível.
Linux é um kernel livre escrito por Linus
Torvalds compatível com o Unix. Ele não foi escrito
para o projeto GNU, mas o Linux e o quase
completo sistema GNU fizeram uma combinação útil.
Esta combinação disponibilizou todos os principais
componentes de um sistema operacional compatível
com o Unix, e, com algum trabalho, as pessoas o tornaram um sistema funcional.
Foi um sistema GNU variante, baseado no kernel
do Linux.
Ironicamente, a popularidade destes sistemas
desmerece nosso método de comunicar a idéia
GNU para as pessoas que usam GNU. Estes sistemas
são praticamentes iguais ao sistema GNU --
a principal diferença é a escolha do kernel.
Porém as pessoas normalmente os chamam de
"sistemas Linux (Linux systems)". A primeira impressão
que se tem é a de que um "sistema Linux"
soa como algo completamente diferente de "sistema
GNU", e é isto que a maioria dos usuários
pensam que acontece.
A maioria das introduções para o "sistema
Linux" reconhece o papel desempenhado
pelos componentes de software GNU. Mas elas não
dizem que o sistema como um todo é uma variante
do sistema GNU que o projeto GNU vem compondo
por uma década. Elas não dizem que o objetivo de um sistema
Unix-like livre como este veio do projeto GNU. Daí a maioria dos
usuários não saber estas coisas.
Como os seres humanos tendem a corrigir as
suas primeiras impressões menos do que as
informações subsequentes tentam dizer-lhes,
estes usuários que depois aprendem sobre
a relação entre estes sistemas e o projeto
GNU ainda geralmente o subestima.
Isto faz com que muitos usuários se identifiquem
como uma comunidade separada de "usuários
de Linux", distinta da comunidade de usuários
GNU. Eles usam todos os softwares GNU; de
fato, eles usam quase todo o sistema GNU;
mas eles não pensam neles como usuários GNU,
e frequentemente não pensam que a filosofia
GNU está relacionada a eles.
Isto leva a outros problemas também -- mesmo
dificultando cooperação com a manutenção
de programas. Normalmente quando usuários mudam
um programa GNU para fazer ele funcionar
melhor em um sistema específico, eles mandam
a mudança para o mantenedor do programa;
então eles trabalham com o mantenedor explicando
a mudança, perguntando por ela, e às vezes
reescrevendo-a para manter a coerência e
mantenebilidade do pacote, para ter o patch instalado.
Mas as pessoas que pensam nelas como "usuários
Linux" tendem a lançar uma versão "Linux-only"
do programa GNU, e consideram o trabalho terminado. Nós queremos
cada e todos os programas GNU que funcionem "out
of the box" em sistemas baseados em
Linux; mas se os usuários não ajudarem, este objetivo
se torna muito mais difícil de atingir.
Como deve o projeto GNU lidar com este problema?
O que nós devemos fazer agora para
disseminar a idéia de que a liberdade para
os usuários de computador é importante?
Nós devemos continuar a falar sobre a liberdade
de compartilhar e modificar software -- e
ensinar outros usuários o valor destas liberdades.
Se nós nos beneficiamos por ter um sistema
operacional livre, faz sentido para nós pensar em preservar
estas liberdades por um longo tempo. Se nós
nos beneficiamos por ter uma variedade de software
livres, faz sentido pensar sobre encorajar
outras pessoas a escrever mais software
livre, em vez de software proprietário.
Nós não devemos aceitar a idéia de duas comunidades
separadas para GNU e Linux. Ao contrário,
devemos disseminar o entendimento de que
"sistemas Linux" são variantes
do sistema GNU, e que os usuários destes sistemas são
tanto usuários GNU como usuários Linux (usuários do kernel
do Linux). Usuários que têm conhecimento disto
irão naturalmente dar uma olhada na filosofia
GNU que fez estes sistemas existirem.
Eu escrevi este artigo como um meio de fazer
isto. Outra maneira é usar os termos "sistema
GNU baseado em Linux (Linux-based GNU system)"
ou "sistema GNU/Linux (GNU/Linux system)",
em vez de "sistema Linux", quando
você escreve sobre ou menciona este sistema.
Copyright 1996 Richard Stallman
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contanto que esta notificação esteja preservada.
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